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Com os pés no chão

Com os pés no chão

A RETRETE DO PARAÍSO

Um pais governado por Deus como seria? Visto que a ideia que temos de Deus é a de alguém capaz de nos proporcionar a suprema felicidade, como faria ele para dar tudo a todos? Será que se estaria borrifando para o défice? Há quem diga que a diferença entre um crente e um comunista é que uns acreditam no paraíso depois da morte e os outros acreditam no paraíso na Terra. Será então que se Deus se pudesse materializar seria comunista? Estará Jerónimo de Sousa assim tão perto de ser santo, mesmo sendo ateu? Será que num governo de Deus nos seria concedido o livre arbítrio? Também o de matar, roubar, violar e incendiar? Ou será que Deus impunha uma ditadura, a ditadura dos bons? Mas é também em nome de uma sociedade ideal que os comunistas são a favor da ditadura do proletariado! É precisamente porque o comunismo é o paraíso na terra que o comunismo se acha no direito de matar todos que se lhe oponham. Num regime comunista, a religião é dispensável e proibida, é o ópio do povo, não vá o povo conseguir enxergar para além dos horizontes comunistas! Os únicos deuses admissíveis são os próprios lideres comunistas que são reverenciados como se deuses se tratassem. A Coreia do Norte é apenas um exemplo! E num país governado por Deus será que haveria espaço para comunistas? Teriam eles espaço para reclamar que o verdadeiro paraíso é o de Jerónimo de Sousa? Será que um qualquer paraíso admite a concorrência de um qualquer outro? Cá por mim, contento-me com a liberdade de chegar aqui mesmo e poder escrever o quero: não desrespeitando ninguém, claro! Mesmo aqueles que não hesitariam em mandar-me para a Sibéria; a retrete do paraíso!

OS INIMPUTÁVEIS

Se um qualquer doente se recusar a tomar medicamentos para se tratar, não acredito que um médico ou um hospital o vá sancionar por isso. Acredito que a um doente que se recusa a fazer um tratamento que o médico o largue da mão e não se interesse mais por quem não cumpre a sua parte: tratar-se de acordo com as prescrições médicas.

Se um país que não cumpra a meta do défice pode ser sancionado até um valor de 0,2% do PIB, significa que aqueles que fazem a vigilância e o controle do «doente» lhe aplicam uma sanção que vai no sentido de o «matar», o que é um contrassenso. Seria um contrassenso ainda maior que, durante o período a que se refere o castigo, se tratasse de um «doente» que, inclusivamente, foi elogiado por aqueles que estão tão empenhados em aplicar o correctivo.

Não deveria então ser um país penalizado por não cumprir as regras do pacto de estabilidade e crescimento? Claro que sim! Mas se a um mau doente um hospital não o pode meter porta fora, a um país sistematicamente incumpridor deveria ser mostrada a porta da rua, a saída do euro. Mais do que qualquer multa, mostrar a um país relaxado que a porta da rua é a serventia da casa, seria motivação mais do que suficiente para não brincar ao faz de conta. Ao faz de conta que cumpre as regras, ao faz de conta que cumpre o défice, ao faz de conta que é rico, ao faz de conta de que é merecedor de uma credibilidade que não tem. Seria motivação suficiente para os políticos não brincarem com coisas sérias, com geringonças mau paridas. Ah, já agora, todos aqueles que no futuro venham a ter a responsabilidade de chamar uma nova troica, colocando o país de joelhos na dependência económica de quem quer que seja, deveriam poder ser acusados do crime de alta traição. Se um espião que vende informações aos russos é preso, e muito bem preso, porque é que aqueles que vendem o país aos credores também não haverão de ser presos? Resposta; é que os políticos, infelizmente, estão na classe dos atrasados mentais e, como tal, inimputáveis.

SER PORTUGUÊS

O resultado a favor do brêxit está a evidenciar que os principais responsáveis a favor da saída fizeram uma campanha puramente emocional e demagógica. Não tinham nenhum plano e não previram as consequências. Muitas empresas deixaram de investir, outras preparam-se para sair e muitos cidadãos procuram dupla nacionalidade. Muito desemprego têm os britânicos pela frente. Aqueles que vão atrás da cantiga do BE que se cuidem.

Não é pelo facto de muitos cidadãos a favor do brêxit estarem arrependidos que a EU deixa de ser um mundo de incongruências, de contradições e sem rumo. A forma como os diversos cidadãos europeus encaram o trabalho, a criação de valor e a competitividade é bastante díspar. As tensões entre países tinham inevitavelmente de aparecer, mais tarde ou mais cedo.

O pacto de estabilidade e crescimento pune da mesma forma aqueles que têm grandes excedentes comerciais e aqueles que estão enterrados em divida. É como se uma escola punisse da mesma forma o melhor aluno e o pior aluno. Um absurdo. As regras são iguais para todos e aplicam-se a todos e, por isso, Portugal não deve ser punido, porque segundo as regras, a França e a Alemanha também deveriam ser punidas. Eu não concordo é com regras que promovem a mediocridade, regras que impedem os bons de progredir. Mas, qual é a razão que leva alguns responsáveis europeus a quererem aplicar sanções a Portugal? O nosso Presidente diz que Portugal não merece ser punido porque fez tudo o que a troica e os responsáveis europeus mandaram. Seria penalizar Passos Coelho injustamente. António Costa, diz o nosso Presidente, tem ainda pouco tempo de governação e não pode pagar por resultados que ainda estão por demonstrar. Este Presidente quer estar de bem com todos o que o leva a cair no ridículo. Parece que está a falar para idiotas! Se acha que Passos Coelho não deve ser penalizado por ter feito o que os credores mandaram como é que acha que António Costa não deve ser penalizado se está a desfazer o que Passos Coelho fez? É dizer uma coisa e o seu contrário.

Na verdade, não é por causa das duas décimas acima dos 3% que nos querem penalizar, mas sim pelo facto de voltarmos ao caminho da demagogia e da reversão. É como fazer inversão de marcha e fazer de novo o mesmo caminho, mas ao contrário. É esta a verdadeira razão pela qual nos querem aplicar um «correctivo». A dívida continua a subir, atingiu já novos máximos e António Costa continua a querer aplicar medidas que vão atirar o défice para um valor que não tem nada a haver com o que diz. Só um «cego não vê isto»! No meio de toda esta preocupação e avisos por parte dos responsáveis da UE, só me admira é os mais interessados, os portugueses, não estarem nada preocupados. Ser pobre, viver como pobre e querer ser rico e fazer por isso, é meritório. Ser pobre, querer viver como rico e não fazer nada por isso, é ser Português.

AS MULAS DE CARGA DO REGIME

Em todo o lado existem pessoas que primam pela correcção, pessoas que procuram evoluir e progredir partilhando com aqueles que os ajudam a subir a escada da vida. Existe também o inverso, mas eu quero acreditar que a maioria faz parte do grupo dos «bons».

As empresas privadas concorrem entre si no mercado e, como tal, têm de procurar fazer o seu melhor por um valor concorrencial. Vivemos tempos nos quais a concorrência é de tal forma feroz que as margens estão completamente esmagadas. As empresas privadas que, na sua grande maioria fazem parte dos «bons», não dão 35 horas de trabalho semanal aos seus colaboradores. Nos dias de hoje é impraticável e custaria o sustento de muitas famílias. O patrão dos funcionários públicos decidiu fazer o caminho inverso. Rico patrão este! Passando o horário de trabalho dos funcionários públicos para as 35 horas, significa que este abonado patrão vai ter de contratar mais gente para fazer o mesmo trabalho. Num país à beira da banca rota é risível de tão ridículo que é. Quando o governo diz que vai reduzir o horário de trabalho dos funcionários públicos sem custos adicionais, significa que: ou tem havido uma grande ineficiência na gestão dos recursos humanos, ou significa que o Estado tem funcionários a mais, ou ainda que vai obrigar os funcionários a trabalhar á velocidade da luz para produzirem o mesmo que anteriormente. É obrigação dos governos gerir de forma sensata e eficiente os recursos que têm á sua disposição e aliviar, na medida do possível, os contribuintes. O Estado, este Estado, este governo, comporta-se como um conselho de administração que não sente repugnância em sobrecarregar os seus acionistas, os contribuintes. Porque é que isto não acontece nas empresas privadas? É que as empresas morrem quando praticam uma gestão ruinosa, ao contrário do Estado que basta aumentar os impostos. Para além disso, os empregados do Estado são eleitores e, como tal, o seu patrão procura os seus favores eleitorais. Imaginem o que seria se nas empresas privadas as administrações fossem eleitas pelos trabalhadores! Nem num regime comunista isto acontece. Conheço alguns funcionários públicos que estão contra as 35 horas, é gente que tem vergonha na cara num pais em que a prioridade deveria ser cultivar e valorizar o trabalho. Os trabalhadores do sector privado são «as mulas de carga do regime», deste socialismo bacoco, que os trata como cidadãos de segunda classe.

A MEMÓRIA É MUITO TRAIÇOEIRA

Estatisticamente, uma grande parte daqueles que votaram a favor do brêxit, são pessoas para cima da meia-idade, pessoas que de alguma forma têm na memória ou cultivam o passado glorioso do Reino Unido. O passado, a ideia do nosso passado, é algo que renasce em nós próprios a partir de uma certa idade. Mas, uma coisa é a memória e outra coisa é a realidade de hoje. Voltar atrás no tempo ou pretender ressuscitar glórias passadas não passa de uma ilusão. O Reino Unido foi a grande potência mundial quando era uma potência imperial, quando tinha colónias cuja riqueza corria a favor da coroa Britânica. Hoje, fora da Europa, o Reino Unido ficará reduzido à sua própria dimensão, que também não é assim tão pequena. O País de Gales e a Inglaterra votaram maioritariamente pelo brêxite, os escoceses e a Irlanda do Norte votaram na continuidade. A Escócia vai querer tornar-se independente, pois uma das razões que os fizeram recuar no último referendo pela independência, foi a continuidade na União. A Irlanda do Norte, provavelmente, seguir-lhe-á os passos.

A economia do Reino Unido que restar vai sofrer, pois o grosso das explorações petrolíferas situam-se na zona económica exclusiva da Escócia. Se a Escócia abandonar o reino de Sua Majestade, o Reino Unido ficará sem uma das suas grandes fontes de receita.

A restante parte dos cidadãos que votaram pela saída, fizeram-no levados pelo seu descontentamento em relação à imigração, ao terrorismo, à invasão de muçulmanos, à insegurança, à falta de perspetivas de futuro, etç. O brêxite foi a resposta errada para as questões certas. A estupidez do primeiro-ministro britânico, levou-o a fazer a promessa deste referendo, acabando por perceber o erro no qual se enredou, à sua própria custa. Há coisas que não se devem referendar, há coisas que não podem ficar nas mãos do povo, porque o povo faz uma avaliação superficial da realidade. Os políticos mexeram as águas, agitaram argumentos, e o povo, como é natural e comum, apenas vê a espuma que está à superfície da batalha verbal. Foi assim que, no passado, nasceram o nazismo na Alemanha e o comunismo na Rússia.

Resta também à UE dar uma resposta à altura, pois se a UE quer manter os restantes membros unidos, tem de mostrar a todos que os britânicos ficaram a perder. Se aqueles que ficarem de fora da União ficarem melhor, com condições de favor da UE, todos os outros Estados vão querer «desertar». Se estar fora da UE for melhor do que estar dentro, o melhor será sair! Por isso, a consequência da separação, acredito que vá ser dolorosa para os britânicos.

O Brêxit, é a vitória do orgulho patriótico e do descontentamento de muitos. A memória é importante! Um país sem memória é um país sem raízes. Mas o Brêxit, vai dar lugar a um futuro que nada tem a ver com o passado, porque, defacto, a memória pode ser muito traiçoeira.

COMO EU GOSTARIA DE ESTAR ENGANADO!

A divida externa da China (dívida pública + dívida privada) é cerca de 247% do PIB. Trata-se de uma brutalidade. A China comunista deslumbrou-se com o capitalismo. Mas, se o capitalismo nos países capitalistas requer cautelas e mesmo assim é o que se vê, o capitalismo comunista é uma incoerência que não pode dar bom resultado. Os investidores estrangeiros que conseguem ver a crise à distância estão a fazer as malas e a ir para outras paragens. O crédito barato, tal como cá em Portugal, afundou a China em dívida. Do Estado chinês, às empresas públicas, das famílias e às empresas privadas, o crédito é «o doce milagre» que dá hoje o que se pode pagar amanhã. Refiro-me, claro, ao mau crédito, ao crédito improdutivo. O crédito barato, sem moderação, torna-se num veneno, numa droga. Tal como uma droga, o crédito barato é viciante, como nós próprios podemos comprovar cá em Portugal. Quando na China começarem os incumprimentos, o problema passa para os credores, para os ocidentais. Quando o preço do dinheiro começar a subir e o consumo a retrair, os chineses comprarão menos carros e menos luxos europeus. Os franceses e os alemães também «não perdem por esperar». Eles sabem disso, sabem que os chineses não vão comprar carros até à Lua, até ao infinito. Os alemães têm superavits, e como não são parvos, previnem o futuro. Os superavits alemães são tão elevados que violam o pacto de estabilidade. Contudo, ninguém liga, caso contrário fecham-nos a torneira e a «droga» deixa de correr.

Já aqui escrevi, há algum tempo, uma verdade que os políticos desprezam; numa economia, o poder financeiro é tão importante como importante é o poder de fogo numa guerra. Igualmente, tão importante numa economia como numa guerra, é ter uma estratégia, caso contrário o poder de fogo de pouco serve. Foi assim que David venceu Golias.

Os portugueses e a maioria dos europeus vivem uma realidade que não é a sua. Embora eu não esteja a anunciar o armagedon, se os europeus não mudarem de paradigma, quando o consumo chinês aninhar, vamos todos sofrer com o impacto. E muito. O BCE, na tentativa de fazer «acordar um morto» está cheio de dívida podre, que vai adquirindo aos países que, como nós, estão moribundos sem saberem. Se, na hipótese de a Alemanha voltar ao marco não lhes trás grandes dores de cabeça, muito pelo contrário, para nós, voltar ao escudo, seria cair no «fundo do poço», seria uma desgraça. A ajudar a «festa», os europeus abrem a porta a muçulmanos, tornando os próprios europeus estranhos na sua própria terra. Estão a alinhar-se os sinais para a tempestade perfeita. Ao quererem o «céu» na terra, a inconsciência dos políticos europeus vai fazer com que o céu se abata sobre a terra, fazendo da «terra um inferno». O mundo está louco. Os homens estão loucos. Está tudo doido. A continuar este caminho, bastará «uma pequena faísca para acender o rastilho». A segurança vai estar do lado daqueles que têm as armas, ou daqueles que têm amigos armados, ou ainda daqueles que servem amos a troco de protecção. Não é de todo inédito, já aconteceu no passado. Como eu gostaria de estar enganado!

HAJA BOLA

“Tenho a certeza de que Portugal vai ganhar”: Marcelo rebelo de Sousa. À semelhança de competições anteriores, a selecção foi presenteada com uma partida digna de heróis, ainda sem o serem. Como é habitual, teve honras do presidente e do primeiro-ministro. Nos paralímpicos, os deficientes partem sem notícias, sem ajudas e às vezes pagam ainda do seu próprio bolso parte das suas despesas. Muitas vezes trazem ouro, medalhas de ouro, estes verdadeiros heróis que apenas são recebidos por presidentes por favor, por obrigação.

É habitual haverem trombetas à partida, de heróis por fazer e que regressam com ar de «cão com pulgas», tal a comichão que os resultados lhes causam nas consciências. Vedetas que se passeiam num campo de vaidades que julgam que, por si só, fazem milagres. O empate, que para a Islândia teve sabor a vitória, foi o prémio da humildade. Jogam pior do que os portugueses mas trabalham muito mais. O resultado apareceu. E se nós tivemos diversas oportunidades de golo, eles também tiveram. “Vamos fazer com que os portugueses se sintam orgulhosos”: Cristiano Ronaldo, na hora da partida. Conceitos duvidosos que não passam de sentimentos exotéricos. Declarações ocas que estão ao nível da “campanha dos afectos” do presidente. Como tudo o que é gerido quando o coração se sobrepõe à razão, mais tarde ou mais cedo, o fracasso aí está à nossa frente. Se os políticos conseguissem mobilizar os portugueses para fazer o que é preciso na economia da mesma forma que os mobilizam para o futebol, talvez conseguíssemos vitórias duradouras, para nós e para os nossos filhos.

O apoio dos nossos imigrantes, dos politicos e da imprensa em geral amoleceu os jogadores. Vedetas que se desfazem em entrevistas estúpidas, nas quais não dizem mais do que o óbvio, só podem conduzir a finais como a do último mundial. Haja bola.

MILHÕES COM ENCANTO

A recapitalização da CGD leva a que as regras de remuneração no banco público estejam em linha com a banca privada.

Muito embora se queira fazer crer que existe supremacia de políticas de direita por parte das instituições europeias, esta imposição vem comprovar o contrário. O velho princípio socialista de, “trabalho igual salário igual”, aplica-se agora aos administradores de toda banca, pública ou privada. Quando António Costa disse que bateria o pé às instituições europeias, não se referia a isto, com certeza. É o socialismo aplicado aos administradores. Se tivesse sido um governo de outra cor politica a acatar, aprovar e implementar esta recomendação, fazem ideia do que diriam os socialistas, comunistas, bloquistas e afins? Mas esta história ainda não acabou. Porque é que os gestores públicos das outras empresas públicas não haverão de ter o mesmo direito que os gestores da CGD? Não são todas empresas públicas? Este tratamento diferenciado dos gestores públicos das mais diversas empresas públicas em relação à CGD, é imoral, injusto e vai contra o princípio da igualdade, que tanta tinta fez correr durante a governação anterior. Mário Centeno e António Costa estão obrigados a fazer alguma coisa em relação a este socialismo coxo, que remunera os gestores públicos do sector financeiro de forma diferente. Claro que não espero ver nenhuma greve dos gestores públicos pobrezinhos nem nenhuma manifestação da CGTP contra a precariedade de trabalho dos gestores públicos. Mas igualdade é igualdade. Mais uns cêntimos na gasolina não custa nada, principalmente com a promessa de que um dia haverá de baixar, e assim daríamos a todos os gestores públicos um tratamento verdadeiramente socialista. É que que os milhões, pagos em tempo de governos socialistas, têm outro encanto.

PORQUE SERÁ?

Julga-se que o reforço de capital da Caixa Geral de Depósitos andará na ordem dos 450 milhões. Com uma ou duas honrosas excepções, a generalidade dos bancos acumularam imparidades. Têm ajudas como ninguém, os gestores ganham como ninguém, e ninguém dá a cara pelos bancos. Os presidentes executivos são eleitos pelos accionistas em assembleia geral. São eles quem verdadeiramente manda. Técnicamente, são empregados dos accionistas e, em qualquer altura, podem sair ou ser demitidos com os milhões que embolsaram com a facilidade que é possível levar a cabo uma gestão ruinosa, pelo facto dos supervisores serem uma cambada de totós. Os accionistas, são donos de partes dos bancos e não são responsáveis pela gestão executiva. Temos um binómio composto por donos não responsáveis pela gestão e por gestores responsáveis pela gestão mas que não são donos dos bancos, não assumindo pessoalmente os prejuízos da sua própria irresponsabilidade. A banca é um sector vital e, apesar disso, a não ser que se encontrem crimes evidentes, ninguém é responsabilizado pela incúria, má gestão, estratégias desastrosas e negócios ruinosos. Aquilo que seria impensável no tempo de Salazar é hoje, em democracia, a regra. Uma vergonha. Que saudades do BPA, BPSM e alguns outros bancos pelos quais os donos davam a cara. Eram donos de bancos com vergonha, que faziam uma gestão sensata e equilibrada das economias dos depositantes. Eram homens ricos mas não enriqueciam à velocidade da luz dos gestores de hoje.

Depois de terem pago para o BES, para BPN, BPP, Banif e alguns outros que vêm a caminho, agora é a vez dos contribuintes pagarem para a CGD. Pública ou privada, a generalidade da banca foi gerida por homens que não são melhores do que a Dona Branca. A infelicidade dela, foi não ter embolsado uns quantos milhões e não ter uma licenciatura de uma merda qualquer.

Há muito que eu não entrava numa estação dos correios. Hoje fui a uma e, qual o meu espanto, vejo os funcionários a oferecerem crédito a todos que por lá passavam. Qualquer dia até na feira da ladra se vê oferta de crédito. Alguém paga. Alguém pagará nesta pouca vergonha de sistema que mistura e confunde democracia com irresponsabilidade, impunidade, pouca vergonha e outras coisas mais que me abstenho de aqui escrever.

Os deputados criaram, e bem, comissões de inquérito para averiguar o que se passou nos bancos privados que necessitaram de dinheiro dos contribuintes. Porque é que, em cinco anos consecutivos de prejuízos do banco público, não foi criada ainda uma comissão de inquérito para averiguar a razão deste descalabro? Porque será?

A COERÊNCIA SOCIALISTA

Este congresso do PS merece uma palavra especial pela sua coerência.

O anterior congresso socialista, foi o congresso da consagração de António Costa. As primárias do PS deram uma vitória esmagadora a Costa, não só como punição da vitória eleitoral pírrica de Seguro mas, acima de tudo, pela promessa de uma vitória retumbante do PS nas legislativas. Assumir uma luta contra Seguro com a certeza de fazer melhor e não conseguir até posso compreender! Faz parte da luta política! O que para mim é vergonhoso, é não assumir as consequências disso. Fazer pior, muito pior, e não tirar daí as devidas consequências, reflete o caráter da pessoa em causa. É simplesmente repugnante.

António Guterres e os elogios a José Sócrates regressaram. Regressou o homem que fugiu do pântano onde colocou o país e regressaram os elogios ao homem que levou o país para a banca rota. É nisto que está a coerência socialista a que me referi no início. Quer economicamente quer financeiramente, o rumo que o país está a levar enquadra-se perfeitamente nos pedidos de ajuda externa de Mário Soares, no pântano de Guterres e na banca rota de Sócrates. Ninguém pode acusar o PS de falta de coerência.

O exercício do poder tem a propriedade de relegar para segundo plano os problemas de consciência e de ética. Este congresso socialista mostrou isso mesmo. Relembraram lideres que colocaram o país de cócoras, mas ninguém foi capaz de umas palavras simpáticas a António José Seguro. António José Seguro é o tabu de António Costa, a sua má consciência. Lembrar Seguro seria como acordar um remorso que convém abafar lá bem no fundo das consciências. Por isso a política se tem transformado numa actividade muito pouco recomendável. Os políticos têm transformado a política num palco nojento e repugnante. E, como convém, não respondem pelas políticas criminosas que reduzem um país á dimensão da sua pequenez.

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